Defesa de Mestrado: 04 de julho de 2018

Local: Auditório Prof. Dr. João Paulo do Valle Mendes/ICB/UFPA.

Horário: 14:00h

Título: ALTERAÇÕES MOTORAS, BIOQUÍMICAS, PROTEÔMICAS E TECIDUAIS EM CEREBELO DE RATOS APÓS EXPOSIÇÃO SUBCRÔNICA AO METILMERCÚRIO

Autor: Pedro Philipe Moreira Matta

Orientador: Prof. Dr. Rafael Rodrigues Lima

 

Resumo: O metilmercúrio (MeHg) representa a forma mais tóxica do mercúrio, que em intoxicações crônicas induz danos motores e cognitivos em ratos adultos. Dados na literatura sugerem um tropismo deste metal em relação ao cerebelo. No entanto, poucos estudos buscam elucidar os mecanismos associados aos danos induzidos por MeHg em modelo de exposição subcrônica e em baixas doses. A partir disso, o objetivo deste trabalho foi caracterizar as alterações motoras, teciduais, bioquímicas oxidativas e proteômicas induzidas pela exposição subcrônica ao MeHg. Para isso foram utilizados 56 ratos Wistar adultos, divididos em dois grupos: grupo controle e grupo exposto (0,04 mg/Kg/dia de MeHg), ambos administrados via gavagem intragástrica por 60 dias. Após o período de exposição, foram realizados os testes comportamentais de campo aberto e “Rotarod”. Posteriormente, coletou-se o cerebelo para análise bioquímica, proteômica, dosagem dos níveis de mercúrio e avaliação tecidual. Para analise estatística foi utilizado o teste t-Student, considerando um valor significativo de p<0,05. O perfil proteômico foi analisado pelo software ProteinLynx Global SERVER™ (PLGS), e foram consideradas subrreguladas proteínas com p<0,05 e superreguladas proteínas com p< 0,95, o teste utilizado foi o teste exato de Fisher com correção por Bonferroni. Nossos resultados demonstraram um aumento nos níveis de mercúrio no cerebelo e uma diminuição nos testes motores dos animais expostos ao MeHg, no campo aberto ocorreu uma diminuição da distância total percorrida e do número de rearing em comparação ao grupo controle com p<0,05, já no teste Rotaroad apresentou uma diminuição do tempo de lantecia da primeira queda e um aumento no número de quedas no grupo MeHg em comparação ao controle com p<0,05. Na avaliação bioquímica ocorreu um aumento nos níveis de nitrito e de peroxidação lipídica e diminuição na capacidade antioxidante contra radicais peroxil (ACAP) com p<0,05 e o perfil proteômico desses animais também sofreu alterações, das 1220 proteínas identificadas no total 436 proteínas foram encontradas exclusivamente no grupo controle e 311 proteínas no grupo MeHg e 358 proteínas superexpressas e 115 subexpressas, foram geradas 3 redes de interação para melhor analisar essas alterações no proteoma. Além disso, na avaliação tecidual encontrou-se uma diminuição das células de purkinje e de células Neun+ e uma menor quantidade de células iba1+, nas analises por fração de área foi encontrada uma menor quantidade de células gfap positivas, sinaptofisinas e MBP+. Assim, nossos resultados sugerem que a intoxicalção por MeHg provocou danos celulares e proteomicos induzidos por extresse oxidativo que causou o déficit motor encontrados nos testes comportamentais.